Entrevista: “Segurança continua presa a mitos”, com a pós-doutora em Direito Penal e Criminologia pela Universidade de Buenos Aires, Vera Regina Pereira de Andrade (pág.3)
Educação: Estudantes da USJ reclamam por sede (pág. 4)
Política: Fim da exigência do diploma de jornalismo gera controvérsias (pág. 5)
Política: Relatório mostra 37 projetos turíticos (pág. 6)
Meio ambiente: ONG tnta barrar mina em Anitápolis (pág. 7)
Especial: Projeto Maciço deve ser finalizado até março de 2011 (págs. 8 e 9)
Economia: Agroecologia traz renda para o campo (pág. 10 e pág. 11)
Economia: Empresas aderem à rastreabilidade (pág. 12)
O ZERO venceu o Expocom Regional como melhor Jornal laboratório da Região Sul e na categoria “Melhor produção em jornalismo informativo”, com a reportagem especial “Plano Diretor da Capital foi alterado 368 vezes”, das alunas Luisa Frey e Juliana Sakae, publicada ano passado e disponível aqui.
“As mil e uma funções do Ministério sem Ministro”, de Fernanda Friedrich, e “Consumo crescente de água mineral provoca contradições”, de Esther da Veiga e Marina Bento Veshagem, foram as reportagens vencedoras.
A matéria sobre o Ministério Público foi premiada pela Escola Superior do Ministério Público da União. Publicada na edição de abril de 2008, a reportagem obteve o primeiro lugar da Região Sul. Friedrich receberá R$ 5 mil reais, além de passagem e hospedagem para participar da cerimônia de premiação, em Brasília. A reportagem pode ser lida clicando aqui.
O II Prêmio CAIXA – UNOCHAPECÓ de Jornalismo Ambiental premiou as melhores webreportagens com a temática “Riscos, impactos e sustentabilidade ambiental no sul do Brasil”. As autoras, que haviam publicado a matéria na edição de setembro deste ano, adaptaram o material para a internet e ganharam o primeiro prêmio do concurso, mais R$ 4.500,00. Leia a reportagem publicada no Zero aqui.
Fred Melo Paiva conversa sobre novela com seus entrevistados
Depois de passar o dia no hotel resolvendo a viagem que faria à Amazônia na semana seguinte para apurar seu primeiro livro-reportagem, Fred Melo Paiva veio à UFSC abrir a VII Semana do Jornalismo. Antes, porém, conversou com os alunos Pedro Santos e Fernanda Dutra. De boné, all star e terno xadrez, o jornalista mineiro-paulistano contou como apura os detalhes de suas reportagens e como os coloca em formatos diferentes – carta, diálogo, narração de jogo de futebol ou até mesmo imitação de romance policial mal traduzido.
Zero: Você passou por revistas com linhas editoriais bem diferentes como a Veja, Istoé, Playboy. Como você foi trabalhando o seu texto em relação ao perfil de cada lugar? Paiva: Eu sempre tive, desde menino, um bom texto. Eu ia bem nas composições da escola. Os meus textos – os que mandei para a seleção do Curso Abril – me jogaram na Playboy. E depois a revista ajudou a reforçar isso, a me formar numa tradição de gosto pelo texto jornalístico. Acho que você encontra nas redações gente com particularidades diferentes. Tem gente que não se liga muito na composição do texto. O cara é cheio de fontes, um apurador, um cara que fala com todo mundo, entra na festa por debaixo da cerca, tem esse tipo. E tem um tipo assim – que eu acho que sou– que se liga mais na composição do texto.
Projeto Os Donos da Mídia publica os nomes que controlam a sua TV, o seu rádio e o seu jornal
Por Rafaela Mattevi
A RBS é o maior grupo de comunicação social com o controle direto de empresas. Isso acontece por meio de contratos de gaveta não fiscalizados. São dados relevantes como este que o projeto Os Donos da Mídia nos revela. Uma pesquisa de abrangência inédita, com o levantamento de 7.275 veículos de radiodifusão e a análise do oligopólio na mídia brasileira. James Görgen é o coordenador do projeto, que lança um site no mês que vem, para “tornar públicos os dados que o Estado omite”. Ele nos conta os motivos da centralização da mídia no Brasil.
Zero: Quando começou o projeto Os Donos da Mídia? Görgen: Esse mapeamento da estrutura da comunicação no Brasil começou em 1978, mas não com a gente. O primeiro levantamento foi feito pelo que era um embrião da Intercom. Depois disso a gente começa a mapear, em 1988, as concessões que o Sarney distribuiu para garantir um ano a mais de mandato durante a constituinte. Foi o primeiro trabalho que eu e o Daniel Herz fizemos. Aí teve uma denúncia no Brasil todo, o Sarney teve que vir a público responder – ele e o Antônio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações na época. Em 1994, a Célia [Stadnik], esposa do Daniel, fez um TCC em que a gente ajuda a montar esse esquema, com a mesma idéia, a de grupos regionais afiliados aos grandes grupos nacionais.
Apurar até onde for possível é a preocupação do biógrafo
Transcrito por Luisa Frey
Antes da palestra na VII Semana do Jornalismo, chega ao estúdio de televisão do curso de Jornalismo da UFSC um homem baixo de meia idade, óculos fundo de garrafa e uma camisa pólo verde que não esconde os quilos a mais. Ruy Castro foi entrevistado por quatro alunos do curso – Daniel Ludwig, Luisa Frey, Marina Ferraz e Marina Veshagem – e logo após a apresentação que o apontava como escritor de livros-reportagem, Castro já tinha uma resposta.
Castro: Vou começar dizendo que eu nunca escrevi livros-reportagem na vida, nem jamais escreverei.
Zero: E Chega de saudade? Castro: É uma reconstrução histórica. Livro-reportagem é o seguinte: morreu o Tancredo Neves e um reporterzinho esperto faz uma cozinha do material de imprensa e dali a uma semana sai um livro-reportagem. Isso tem um grande parentesco com o oportunismo e a picaretagem. O que eu faço é totalmente diferente. Um livro de reconstrução histórica, uma biografia leva anos pra ser feita. Não podem ser confundidos com esses livrecos chamados de livros-reportagem, feitos em cima da perna, usando material morto, de arquivo.